Semana Acadêmica PUC-SP

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Detalhe: Michelangelo, Criação do Homem, Século XVI, Capela Sistina

A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC-SP, realizou entre os dias 22 e 27 de outubro sua Semana Acadêmica.

Ministrei a palestra “Criação e Design de Personagens” a convite do Prof. Rogerio Cardoso, coordenador do Curso Superior de Tecnologia em Jogos Digitais, por intermédio de David Oliveira Lemes, Dolemes do GameReporter.org.

Projetei imagens da figura humana ao longo da história da arte como pano de fundo para uma abordagem sobre o intangível no processo de criação de um personagem.

Comecei com a definição das palavras:

Personagem: o homem definido por seu papel social e comportamental.

Caráter: aspecto morfológico ou fisiológico utilizado para distinguir indivíduos em uma espécie ou espécies entre si.

Todos nós, quando relatamos um acontecimento e descrevemos pessoas, estamos criando personagens que são frutos de nossa percepção sensorial e intelectual.

Nossa capacidade em deduzir de onde veio ou para onde vai a pessoa com quem estamos interagindo está relacionada à nossa cultura e experiência além da lógica usada durante a observação do outro.

O personagem que criamos a partir de uma pessoa é uma “projeção” (Platão) mental ou uma “representação”(Aristóteles) mental da pessoa. Ele é um quebra-cabeças montado não com as peças da pessoa, objeto da representação, mas com nossas próprias peças.

Há milhares de anos a humanidade representa-se graficamente utilizando-se de diversos meios e ferramentas revelando uma inerente cultura da imagem.

O homem cria seus mitos, fala e escreve sobre eles. Ele os sintetiza em imagens carregadas de signos, capazes de personificar e armazenar em si todo um universo de idéias.

Personagem Oral (diálogo);
Personagem Literário (história escrita);
Personagem Pictórico (história da arte);

Três pessoas descrevem uma cena em tempo real. O primeiro reproduz seu áudio, o segundo a relata em texto e o terceiro a transmite em imagens. O público de cada meio receberá e processará a mesma cena de maneira incrivelmente diferente e ainda desenvolverá sua própria interpretação.

A percepção da imagem é outro fator fundamental que devemos levar em conta no processo de criação de um personagem pictórico. Ela se dá de forma mecânica e cognitiva.

O olho humano é capaz de capturar um universo de luz que, processada no córtex visual é convertida em imagens. Mas o homem precisou desenvolver tecnologia para poder enxergar o ultravioleta, infravermelho, temperaturas, microorganismos e distâncias até então inimagináveis e mais uma série de possibilidades ainda não descobertas. As próprias imagens que podemos ver a olho nu, estão sujeitas à distorções de grau, cor e ilusões. Vivemos o mundo dentro dos limites de nossa percepção.

Uma série de estudos e teorias sobre percepção visual nos permite compreender ou no mínimo ter consciência da ação de complexos fatores que provocam as reações naturais do indivíduo.

A Gestalt conclui a partir do comportamento natural do cérebro que tendemos a agrupar figuras de acordo com características que possuem entre si como semelhança, proximidade, pregnância ou simplificação natural da forma, entre outras.

A Semiótica estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas de significação.

Aesthetica de Baumgarten considera que os artistas alteram deliberadamente a Natureza, adicionando elementos de sentimento à realidade percebida. Para a antiguidade clássica o belo, o bom e o verdadeiro formavam uma unidade com a obra.

Para Kant, o belo e o sublime despertam um sentimento estético que distingue-se do conhecimento, é independente do conceito.

Os criadores de imagens estimulam e revolucionam a mente de todos. O personagem é também um signo. Mas criador e a criatura são seres distintos, separados no parto. Tal como uma mãe, vê romper-se o cordão vital que os manteve unidos durante a gestação.

Observar o intangível é ver em segundos o desabrochar de uma rosa filmada durante dias, ou um beija-flor batendo asas à 500 fotogramas por segundo. É perceber a distorção da imagem no tempo.

Mas há também questões fundamentais bem pragmáticas que afetam diretamente o processo de criação e design de um personagem. É o objetivo concreto. O propósito.

Para qual meio?
Criamos um personagem para um meio em especial. Portanto este personagem deve antes de tudo ser adequado a este meio, mais que isso, ele deve explorar os limites e o potencial deste meio. Assim, ele terá forças para romper os limites e conquistar inúmeras mídias, sempre porém adequando-se, adaptando-se, transformando-se. O bom personagem sofrerá inúmeras metamorfoses na conquista de múltiplos meios.

Para quando e por quanto?
Personagens autorais são gerados lenta e naturalmente. Mas produções coletivas como longas de animação, games e séries, logos ou filmes publicitários, exigem que eles sejam desenvolvidos dentro de um tempo limitado ao seu propósito e orçamento. Esse tempo vai de poucas horas à anos antes de estrear pela primeira vez no formato para o qua foi desenvolvido.

Concluí a palestra falando do destino do personagem. Uma vez criado ele pode ser apenas encaminhado pelos autores, mas de fato será abraçado e adotado pelo público. Quando as pessoas se identificam com ele elas o levam adiante através de sua memória, como parte de suas vidas.

O caráter permanece vivo enquando reflete o homem contemporâneo.

“Criou, pois, Deus o homem à sua imagem.” Gn 1:27

[:¬)

2 Respostas to “Semana Acadêmica PUC-SP”

  1. maria celia malaquias Says:

    Por favor gostaria de saber a data da Semana Acadêmica da Puc e da Semana Acadêmica do Cogeae-São Paulo.
    Obrigada, Maria Célia


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